
Após a batalha contra a milícia de Grimonatz, um silêncio desconfortável tomou conta da estrada. Os Associados permaneceram atentos, esperando que novos inimigos surgissem da mata, mas ninguém apareceu. Ou o draconato havia desistido da perseguição, ou preparava algo muito pior.
Kai e Sergius arrastaram os corpos dos soldados para o centro da estrada e, usando seus membros e o próprio sangue derramado, escreveram uma única palavra: TRAIDOR. Nëo aproveitou para desenhar pequenos pintinhos pelo cenário do massacre, enquanto Pla fez uma caricatura humilhante do draconato em uma parede próxima. Enquanto isso, Jairo vasculhava a floresta em busca de sobreviventes, e Hétera permanecia em silêncio, observando o campo de batalha.
Revistando os corpos, Nëo espoliou um conjunto de flechas paralisantes. Porém, algo chamou ainda mais a atenção do grupo: quase todos carregavam um cartaz anunciando o Torneio Regional de Combates Honestos e uma carta de recrutamento para formar equipes. No lugar da assinatura havia apenas o símbolo de uma forja atravessada por dois martelos, exatamente o mesmo que estampava os cartazes de procura pelos Associados.
Mesmo sem qualquer garantia de encontrar respostas, como de costume, o grupo decide seguir em direção ao torneio.
No fim do dia alcançaram uma pequena cidade já tomada pelo clima do evento. Bandeiras decoravam as ruas, comerciantes aproveitavam o movimento e dezenas de viajantes chegavam para assistir às lutas. Antes de entrar, o grupo resolveu acampar em uma clareira próxima.
No meio da madrugada, enquanto medita — ou apenas permanece desligado do restante do mundo, como de costume — Nëo percebe um movimento discreto dentro do acampamento, Hétera se levanta discretamente e caminha em direção à mata. Não deu muita importância.
Na manhã seguinte, porém, encontraram apenas seu martelo de guerra e um saco de moedas sobre o saco de dormir. Hétera havia partido sem deixar qualquer explicação.
Sergius culpou-se pelos acontecimentos da noite anterior, imaginando ter exagerado em algo que dissera. Jairo pegou o martelo e o dinheiro da anã, decidido a procurá-la pela cidade.
Enquanto Jairo percorria ruas e becos, Nëo espalhava cartazes improvisados com o rosto de Hétera — esquecendo completamente de informar como alguém poderia encontrá-los. Sergius, Kai e Nëo aproveitaram para visitar uma loja de itens mágicos.
Lá descobriram que as inscrições para o torneio ainda estavam abertas e deveriam ser feitas em equipes. Nëo comprou flechas incendiárias e flechas mágicas de efeito aleatório; Kai adquiriu algumas poções de mana; Sergius comprou poções de cura, venenos para sua espada e um explosivo de alto impacto. Pela compra generosa, ainda ganhou uma camiseta da loja de brinde. Enquanto aguardava no caixa, Nëo percebeu que o caderno sobre o balcão não registrava vendas, mas sim as apostas feitas nas lutas.
Do lado de fora, Pla conversava com um florista e descobriu que o campeão do torneio receberia ouro e o direito de solicitar ao grande ferreiro da cidade a criação de qualquer artefato mágico. Infelizmente, o símbolo da forja e dos martelos não possuía qualquer ligação com a competição, frustrando mais uma esperança de encontrar respostas.
Reunidos novamente, seguiram até o coliseu.
Antes de entrar, Kai assumiu a aparência de Hagar, líder da seita, enquanto Sergius começou a interpretar um velho curvado e de passos lentos, mais idoso ainda. Chegaram ao balcão exatamente quando as inscrições estavam sendo encerradas.
— Nome da equipe? — perguntou a halfling responsável.
— Os Associados. — respondeu Sergius com sua voz rouca.
— Com cinco “S”! — completou Pla imediatamente.
A atendente apenas anotou e pediu o vulgo de cada participante.
— Sergius, o Velho.
— Hagar, o Devoto.
— Pla, a Cableila.
— Nëo, o Gay.
Inscritos, receberam um panfleto com as regras oficiais do Torneio Regional de Combates Honestos:
- Proibido usar cocô.
- Proibido xingar o juiz.
- O combate termina quando um lutador bate três vezes ou morre.
- Sem limite de tempo.
- Sem limite de espaço.
Já nas arquibancadas, encontraram diversos apostadores, entre eles o dono da loja onde haviam feito compras. Confiantes, Pla e Sergius apostaram 400 moedas cada na própria equipe, enquanto Nëo colocou 200. Impressionado com a ousadia do grupo, o comerciante acrescentou mais 250 moedas do próprio bolso, patrocinando os recém-chegados.
Pouco depois, o som de um grande gongo silenciou completamente o estádio. Um narrador surgiu no centro da arena, sua voz ampliada magicamente enquanto projeções de batalhas iluminavam o céu acima do coliseu.
O Torneio Regional de Combates Honestos estava oficialmente iniciado.
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