Em meio ao alvoroço da arquibancada, os sobreviventes deixam a arena. Vorlag, Jairo e Nëo desaparecem do camarote misturados ao público, enquanto Kai segue para a forja demandar sua recompensa. Sergius e Pla caminham até a loja do apostador para descobrir quanto haviam rendido suas apostas e, no caminho, reencontram Nëo, ainda disfarçado para evitar qualquer ligação com os acontecimentos no camarote.

Os três acompanham o apostador até o Itaúrb, o Banco da Moeda de Urborg, onde o prêmio é finalmente sacado. As moedas de ouro são divididas entre o grupo e Pla mal consegue esconder a felicidade ao perceber que, pela primeira vez, tinha dinheiro suficiente para o barco que tanto desejava.

Antes de deixarem o centro da cidade, encontram Kai na forja. Enquanto o tiefling conversa com o ferreiro sobre sua premiação, Sergius observa uma antiga armadura de placas completa esquecida em um canto da oficina. Bastariam alguns reparos para que voltasse a ser uma excelente proteção, mas seu preço ultrapassava tudo o que havia recebido no torneio. O velho encara Pla com um olhar digno do Gato de Botas.

Ela suspira enquanto conta suas moedas.

Pouco tempo depois, Sergius deixava a forja usando uma armadura de placas completa.

A cerimônia oficial da premiação aconteceria apenas na tarde do dia seguinte. Com tempo de sobra, o grupo retorna à taverna, onde é recebido calorosamente pelo proprietário, um tiefling que faz questão de comemorar a vitória de Kai. O campeão invoca Didi para participar da festa e praticamente afunda o pequeno diabrete dentro de uma caneca de ale, enquanto Sergius aproveita o momento para levantar uma dúvida.

— Tu fez pacto com mais de uma entidade?

Kai demonstra não dar a menor importância à questão.

Durante a conversa, Pla revela ao grupo o acordo que havia feito com Tik. Explica que recebeu um item capaz de encurtar drasticamente a jornada até Sylvan: uma chave de portal.

Na tarde seguinte, a praça central está completamente lotada. Um palco de madeira foi erguido às pressas e centenas de pessoas aguardam a chegada do campeão. Muitos carregam cartazes, usam tiaras com chifres vermelhos e pintam o próprio rosto em homenagem ao tiefling vencedor.

O narrador do torneio chama Kai ao palco sob uma explosão de aplausos. Ao seu lado, o ferreiro segura uma pequena urna de madeira. Primeiro vêm as moedas, depois o troféu, solenemente ignorado pelo campeão. Por fim, o artesão entrega a urna.

Kai a abre.

Lá dentro repousa uma peça de ferro negro prateado, cujas pontas lembram chamas retorcidas.

— Coroa Carniçal.

Kai sorri enquanto coloca a coroa sobre a cabeça.

Nem todos, porém, comemoram a cena.

No meio da multidão, três homens avançam em direção ao palco, empurrando quem cruza seu caminho. Sergius, parado próximo à escada, impede que outras pessoas subam, enquanto Pla nota um detalhe inquietante: gravada nas roupas dos três está a mesma runa vista anteriormente nas cartas e contratos ligados a Grimonatz, ela alerta o grupo imediatamente.

Kai decide experimentar seu novo artefato. Seus olhos tornam-se completamente negros e veias escuras começam a se espalhar em volta deles. Assim que encara os três desconhecidos, eles recuam instintivamente e tentam desaparecer no meio da multidão.

Sergius, ansioso para estrear sua nova armadura, dispara atrás deles, seguido por Pla, Nëo e Kai. O confronto é rápido e dois dos suspeitos acabam rendidos e levados para a taverna.

Depois que Kai aquece uma caneca de ale até fazê-la ferver e despeja o líquido borbulhante sobre o rosto de um deles, a resistência a um interrogatório desaparece completamente.

Grimonatz não permanecia em Urborg, dava ordens ali mas seu esconderijo ficava em Sylvan.

Quando questionados sobre como conseguia se deslocar tão rapidamente, a resposta surpreende o grupo: ele também utilizava uma chave de portal. O homem entrega um mapa indicando uma árvore isolada no meio do pântano, local onde o portal costuma ser acessado. Kai o entrega ao taverneiro.

— Caso nossos camaradas apareçam, dê esse mapa a eles. Vão nos encontrar.

— Mas quem são seus camaradas?

Pla pega um pedaço de pergaminho e faz um retrato falado extremamente fidedigno da mula Jegue Johnson. Ao redor da mula desenha três pequenos bonecos palito representando Vorlag, Jairo e Toni.

— Foque plincipalmente na mula, ela que é mais impoltante.

Sergius completa:

— E se uma anã roxa aparecer, diga que fomos pra praia.

Sem mais motivos para permanecer na cidade, o grupo finalmente utiliza a chave de Tik. O portal se abre diante deles, pequeno o bastante para obrigar todos a se abaixarem para atravessá-lo. Do outro lado sopra uma brisa carregada por um aroma herbáceo.

Era Sylvan.

Os quatro atravessam a passagem e surgem dentro de uma caverna. Poucos segundos depois, o portal oscila violentamente e se fecha de forma abrupta, apagando completamente a visão da taverna que permanecia do outro lado.

À frente deles, uma trilha de runas percorre as paredes da caverna como um caminho cuidadosamente preparado. Seguindo aquelas inscrições, chegam a um amplo salão onde nove cadeiras repousam em círculo, cada uma marcada por um símbolo diferente.

Pla se aproxima para analisar as inscrições e percebe que uma delas representa fogo. Nëo acende a ponta de uma flecha e aproxima a chama da runa. O fogo é imediatamente absorvido, como se a pedra estivesse faminta. Em seguida, todas as demais inscrições se iluminam ao mesmo tempo, fazendo as nove cadeiras brilharem em sequência.

Apenas uma permanece apagada.Sem pensar muito, Sergius senta-se nela, não sabendo se por intenção ou idade.

No mesmo instante, a parede atrás das cadeiras desliza lentamente, revelando um corredor oculto repleto de baús, prateleiras e incontáveis pergaminhos. Kai examina rapidamente parte do material e conclui que se tratam de diários, relatórios e registros acumulados ao longo de muitos anos. Pla, por sua vez, identifica um símbolo recorrente entre diversos documentos: a marca que representava “verde”.

Enquanto observam o local, algo em seu bolso pulsa.

Ela retira o cristal azulado, a luz se intensifica a cada instante.

Começam a avançar pelo corredor, até que uma voz desconhecida ecoa pelas paredes da caverna, firme o bastante para fazer todos interromperem seus passos.

— POR QUE VOCÊS PERSEGUEM GRIMONATZ?

Contador deda sessão

críticos

naturais

grana

mortes

Mordekay_mvp

mvp