A fumaça começa a se dissipar, junto de um zumbido incômodo nos ouvidos de todos que testemunharam a explosão do golem de aço. Dunguy e Mördëkäy, por estarem mais próximos, absorvem boa parte do impacto. O druida, ainda em forma de gorila, sobrevive graças à couraça espessa, enquanto Dunguy é arremessado contra uma parede de pedra, fazendo Lancelot despencar de seus ombros e rolar pelo chão.
Rapidamente, os companheiros prestam socorro, dividindo magias de cura entre Dunguy e Akron, os mais feridos. Sem tempo a perder, partem para a segunda fase do plano: recuperar a Égide. Utilizando uma passagem secreta entre a fortaleza e o coliseu, dirigem-se ao encontro de Karmen Lucius, uma antiga aliada de Akron, em busca de abrigo e tempo para reorganizar as ideias.
Na cidade, o restante do grupo encontra Karmen Lucius na taverna. Dunguy, treinado na mesma ordem, se aproxima e faz o cumprimento secreto do símbolo da justiça, prontamente reconhecido por Lucius. Após resumirem os acontecimentos, convencem a paladina juíza a lhes conceder abrigo. Alguns bêbados na taverna, vendo a veterana entrar num quarto acompanhada de seis homens, não perdem a piada e soltam risadinhas e cochichos.
A noite avança entre histórias de guerra, vinho e cerveja porter. Dunguy e Lucius dividem lembranças e, sob a luz da lua cheia entrando pela janela, acabam se entregando ao calor de antigas paixões. Enquanto isso, Pegoretti e Pianíssimo dedilham instrumentos em sussurros para acalmar um paladino nervoso sob os lençóis, enquanto Lancelot tenta se refugiar em livros, usando rolhas de vinho como tampões de ouvido.
Ao amanhecer, a camareira chega com um farto café da manhã e se espanta ao encontrar sete pessoas no quarto — dois deles, inclusive, fumando calmamente debaixo dos cobertores, com Dunguy ainda de elmo.
Mais tarde, perto do meio-dia, Cher, novamente disfarçada de guarda, conduz Akron amarrado até a arena. Antes, para reforçar a encenação, recebe um soco dele. No ponto mais alto e privilegiado da arena, Doch observa, acompanhado de dois antigos aliados de Akron, agora golpistas declarados. Aos gritos, o novo comandante vocifera sobre como “antigamente era melhor”, como a nova geração é feita de “mimimi” e outras pérolas reacionárias.
Com isso, dá início ao Ritual de Guerra da Égide. Os primeiros combates são simples — gladiador contra gladiador — mas vão se tornando mais brutais: um centauro, uma fera mágica, até culminarem num battle royale sangrento, que termina com uma guerreira coberta de sangue e vísceras erguendo sua arma.
Enquanto isso, os Nine se posicionam discretamente pela arquibancada, prontos para intervir, como de costume. Cher ajoelha Akron diante de Doch, reportando que o halfling partidário de Akron escapou, soltando prisioneiros e matando guardas — inclusive o golem. Alegando que Akron quase fugiu novamente, justifica manter-se próximo para evitar outro incidente.
Doch então ordena que tragam Akron à arena. Ao seu comando, uma enorme caixa de metal ornamentada é trazida ao centro da arena e, dela, retira-se a Égide de Bael. Akron pede apenas uma lâmina para lutar, e Doch, sentindo-se magnânimo, joga-lhe uma espada enferrujada.
O combate começa desigual. Nas arquibancadas, Pegoretti usa seu alaúde cor-de-carne para inspirar os aposentados locais, alertando sobre a injustiça do duelo e as práticas covardes do atual governo. O clima na arena se inflama e, pouco a pouco, a multidão começa a se agitar.
Quando Doch percebe a situação fugindo ao controle, dá um sinal. No topo do coliseu, arqueiros surgem, armando seus arcos e apontando para o centro da arena. Flechas chovem, cravando-se na areia, em armaduras e escudos, enquanto o caos se espalha.
Em meio à confusão, os gritos marciais de Karmen Lucius e suas tropas ecoam, empurrando os arqueiros arena adentro. Claramente, Dunguy fez muito mais que apenas satisfazer uma veterana naquela noite.
A batalha esquenta. Os Nine avançam e, após uma série de investidas ferozes, Mephis degola Doch. Os demais comandantes são abatidos um a um. O discurso que se segue marca o momento: carismático, o velho general denuncia publicamente os métodos ultrapassados de tortura e controle, propondo uma nova era para o Punho de Bael.
Mas o auge da cena acontece quando Dunguy, ergue a Égide numa mão envolta em sangue, com a outra, aponta para a cabeça decapitada de Doch — ainda com os olhos arregalados de pavor — enquanto o público, tomado pela adrenalina, explode num grito uníssono de êxtase.
O coliseu inteiro entra em polvorosa.
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