A bandeira da Comuna tremulava tímida a meio mastro naquela manhã.
Não havia honrarias, tampouco tempo para luto em Das Kapital, mesmo com a queda de Adriel, o maior símbolo de resistência e justiça que a nação já conheceu.

A capital estava devastada. Chamas azuladas ainda eram combatidas em meio aos escombros da última aparição de Nihil.

Em um velório simples, dois caixões repousavam lado a lado — um de ébano, outro de marfim. Ali estavam Adriel e Hans, enterrados juntos, como viveram.

Iranel chegou sem dizer nada. Deixou uma rosa branca sobre o caixão do amigo e permaneceu imóvel em silêncio. Mauro Jonas se aproximou, mas respeitou a distância. O som metálico de passos pesados anunciou Dunguy, acompanhado de Karmen Lucius. Embora nunca tivessem visto seu rosto, todos perceberam o leve rubor quando encarado pelos companheiros.

Apesar do clima pesado, não havia tempo a perder. Nihil acelerava seus ataques, e o dragão convocou os Nine para mais uma conversa.

Revelou que Mauro Jonas havia passado dias treinando com a Espada Esmeralda numa ilha onde a gravidade era dez vezes maior que a de Aeth, alcançando domínio e força incomuns, embora suas mãos ainda carregassem os cortes de quem segurou a espada pela lâmina.

Iranel então exibiu uma pena arrancada da asa de Nihil. Ao tocá-la na lâmina, desfez-se em poeira. Era a confirmação: o caminho estava certo.

Mas a perda de Adriel deixava um vazio estratégico. Restava diplomacia. O dragão ordenou que buscassem Ethra, a Feiticeira de Althira, criada pela Última Civilização há mais de 300 anos para subjugar Nihil. Ela já havia conseguido aprisioná-la uma vez — talvez fosse possível novamente.

Antes da partida, Iranel relatou algo curioso: em Rimmia, cidade próxima à fronteira com a Comuna, a anja aparecera, mas ao invés de destruição, havia curado crianças enfermas e partido.

Depois de mais uma bronca sobre outra nau voadora destruída, Iranel riscou o ar com uma garra e abriu um portal.

Os Nine atravessaram, menos Mördëkäy, distraído em sua forma de vira-lata caramelo a lamber sua caceta.

Rimmia revelou-se um vilarejo pequeno, cercado por muralhas antigas e vastos parreirais de uvas brancas, vermelhas, violetas e turquesa. A economia girava em torno das vinícolas.

O povo estranhou o grupo excêntrico que surgiu na praça. Cher, disfarçada de pato preto antropomorfizado de língua presa, alegou se tratar de uma peça teatral. Mesmo assim, um clima tenso pairava entre os brothers.

A busca por informações começou. Na taverna, o cheiro habitual de cerveja fora substituído pelo aroma avinagrado de vinho. Pegoretti pediu chope. Tim, o dono, ofereceu chope de vinho. Resignado, pediu água.

Mephis indicou um sujeito estranho no canto e sussurrou.
“Tem um cara esquisito ali, meo.”

O grupo tramou abordagens. Cher, como Patoline, sondou o dono Tim, que nervoso, relatou que Nihil havia curado crianças e ido embora. Mas o clima ruim era culpa dos Inquisidores. O senhor feudal, Zamlin, tentara dialogar, mas desaparecera.

O taverneiro então perguntou:
“Quem são vocês?”

Dunguy pôs o pé na cadeira, estufou o peito e declarou:
“Nóis é os Nine!”
Pianíssimo completou com efeitos mágicos discretos.

Naquele instante, a porta foi escancarada por um guarda ensanguentado, que gritou:
“Eles renderam o Zamlin e estão vindo!”
— e tombou.

Dunguy e Cher trocaram olhares. Sabiam: era hora de massacre.

Antes de planejar, Patoline apontou para o estranho na taverna e questiona aos cuspes:
“Você votou em quem?! O quanto você se identifica com os Inquisidores?!”

O homem tirou o pé da mesa, levantou-se com vigor — meio-elfo, sem camisa, roupas de couro e o cabelo mais modelado de Aeth.
“EU ODEIO OS INQUISIDORES, CARAH!” — bradou, cuspindo no chão e atirando a taça na mesa.

Era Pierre X, o bruxão artista.

Com ele e alguns aldeões, montaram o plano. Carroças foram incendiadas nas laterais, o povo levado ao castelo e trancado. Cher e Mephis esgueiraram-se pelas sombras e topos de casas. Dunguy bateu seu escudo diante dos portões do castelo. Os demais observando das torres.

O cheiro de carne humana queimada, o mesmo de Brevenia, invadiu o ar.

Pela entrada principal, vieram dezenas de inquisidores. Antes que avançassem, uma bola de fogo os atingiu. Um pato sorriu no alto do telhado.

Dunguy partiu para cima com aldeões inspirados. Entre os inquisidores, uma fada veloz voou, absorvendo ataques. A origem da magia vinha das mãos cobertas de joias de Pierre X.

Dezenas pelas laterais. Mauro Jonas e Pianíssimo avançaram. Pegoretti arremessou Lancelot dos muros, que se transformou no tiranossauro de óculos, destroçando fanáticos.

Corpos se amontoaram. Pierre invocou um súcubo para barrar sobreviventes.

192 mortos depois, as lâminas de Mauro Jonas e Pianíssimo dizimaram virilidades inquisidoriais.

Por fim, os poucos sobreviventes, ao subir uma colina, olharam para trás e viram a entrada da cidade: 192 corpos empalados nos muros e formando um enorme “9” desenhado na terra.

Eles entenderam o aviso.
Aeth não esquece os Nine.

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