É noite de céu estrelado, sem nuvens, mas uma neblina espessa cobre a costa de Yavimaya.
Na areia, alguns aventureiros encaram a silhueta de um grande navio escondido no breu.

Kai havia enviado seu diabrete para vigiar e avistara alguns religiosos na beira-mar. O grupo decide se aproximar para colher informações. Encontram três aldeões comuns, rezando sem fervor, tentando suprir a ausência dos três tenores com preces ao mar — sem sucesso.

Sem novidades, Worlag e Kai invocam um corvo Serginho e o diabrete, lançando-os rumo à névoa. Pelos olhos de seus servos, veem marinheiros de aparência estranha, agindo como se nada tivesse acontecido, enquanto uma luz azulada emanava da cabine do capitão. Então, um feixe azulado parte da cabine, atinge o corvo e o diabrete, e ambos se dissipam com um estalo.

Enquanto observavam, chegam Sergius, Toni e Pistonius, vindos da taverna: quase sóbrios, mas ainda carregando o perfume etílico.

Antes de qualquer plano, uma pequena luz azulada desce do navio e vem em direção à praia. Flutuando sobre um barco de seis remos, chega à areia e desaparece. Os três religiosos fogem apavorados.
Nëo depois de longa análise conclui: magia.

Não havia mais o que esperar em terra. O que devia ser bebido já fora, o que devia ser descansado também. Sergius precisava esfregar sua glória na cara de Arwel. Pla precisava de um navio. Hétera, ajudar inocentes. Toni… precisava transar com Pla. Nëo por algum motivo desconhecido, ainda estava junto e se questionava.

Dividem-se em dois barcos: no menor, oferecido pelo sacerdote, vão Pla, Toni e Kai. No maior, os outros. Sergius, na proa, faz pose dramática, esperando que o barco se mova sozinho. Nada acontece. Remos.

À medida que avançam, o navio na névoa se revela: velho, abandonado, carcomido.
— Podem descer as escadas que a gente tá chegando nessa porra! E apaga esse beck! — grita Sergius.

Duas escadas de corda descem. Sergius sorri, satisfeito.

Todos sobem apreensivos, armas em mãos, magias prontas. Hétera canta uma bênção. Na cabine do capitão, flutua uma pequena orbe azulada. Magias não funcionam sobre ela. Sergius, impaciente, mete-lhe o porrete. A arma atravessa a orbe, acerta a mesa, e então ela se revela: o espectro de um Capitão.

— O que vocês estão fazendo aqui?! — vocifera o espírito.
— Foi você quem nos trouxe! Eu não mando carroça pra quem não quero em casa! — retruca Sergius.

A presença do navio sempre pareceu um convite. Sergius tenta negociar.
— Quem bate no meu barco, não quer resolver pacificamente — responde o Capitão, e seus olhos brilham. Quatro mortos-vivos marujos sobem pelas laterais: pele inchada pela água, olhares opacos.

— Homobuga fede tal! — recita Pla, erguendo uma lagartixa seca. A magia púrpura atinge o Capitão, que se enfurece.

O espectro revida com um feitiço que atinge a todos: dor e medo. Atacar o Capitão diretamente se torna quase impossível. Os marujos avançam. O grupo os enfrenta: alguns são empurrados de volta ao mar, outros despedaçados por Sergius e esquartejados por Pistonius. Aos poucos, os mortos caem.

O Capitão, enfraquecido, se desfaz em névoa. Não derrotado, mas adiado.
— Gente, esse navio não tá com um clima legal. A gente devia vender logo e ir embora — sugere Toni.

No lugar onde o espectro sumiu, Worlag encontra um diário de bordo encharcado, uma poção vermelha, 30 moedas de ouro e um amuleto. Ao vestir o amuleto, sente uma das piores bad vibes de sua vida, sofrendo dor real. Sergius, próximo, também é afetado.

O diário revela:

Dia 83
“O clima está esquisito, um brilho estranho está no céu. Será que isso é um sinal de azar? ou de sorte?”

Dia 89
“Algo muito estranho se passou. Ouvimos barulhos distantes e o mar está muito agitado. No céu, parece que vimos um anjo, mas também um dragão. Sempre achei que eles fossem a mesma coisa, mas… não, eles lutaram no céu. Logo depois, um chuvisco azul brilhante chegou. Parecia chuva, mas era sólido. Será que despertaram um vulcão?”

Dia 92
“Agora é claro, não são cinzas, mas cristais, e eles não foram embora. Pousaram nas velas, nas cordas, até na pele dos marinheiros. O mar está calmo, mas ele me chama, como um sussurro. No fundo, isso é lindo… olhei para o céu e chorei.”

Dia 94
“O navio parece uma prisão, mas isso é bom, eu acho. Gostaria de sentir o cheiro da maresia uma última vez… agora tudo parece metálico, sem brilho. Os mastros são bons amigos, eles também cantam. Hoje meus dois últimos marinheiros se jogaram ao mar, as ondas sabiam seus nomes. Mandei cortar as velas, elas gritaram.

Não sei o quanto de sanidade nos resta, ou seria só eu? Meus homens me abandonaram, ou eu os abandonei?”

Todos se entreolham. Pla arregala os olhos ao ouvir “anjo” e “dragão”. O resto continua a vasculhar.

No porão inundado, Toni encontra 20 moedas e guarda.

Pistonius descobre um pergaminho e uma arma coberta de corais. Pla encontra um esqueleto acorrentado, mãos juntas sobre um cristal azulado. Lembra-se do diário, não toca diretamente: enrola o cristal em um pano.

A discussão sobre o navio divide opiniões: reformar, entregar, vender. Kai corta:
— Dez segundos e eu incendeio essa merda.

Todos pulam para os barcos menores. O tiefling cumpre a palavra. O navio afunda em chamas e estalos.

De volta à praia, o sacerdote Yon os recebe e pergunta pelos tenores. O grupo percebe: eram os mortos-vivos.
— Não dá pra fazer omelete sem quebrar uns ovos — comenta Sergius.

Yon lamenta e reza por eles. Toni o interrompe: exige recompensa. Yon oferece o café colonial de seu irmão, mas Toni quer algo “da caixinha de ofertório… e do meio das pernas de belas damas”. Yon esconde o medalhão santo e os encaminha a uma casa de entretenimento. Quanto à parte monetária, promete resolução com a prefeita-capitã da ilha.

Pla pede um sábio de itens e magias. Yon recomenda Felicus, vizinho da casa de entretenimento.

O grupo segue para a vila. Pla observa a lojinha de Felicus. Os demais encaram a casa de portas vermelhas e janelas azuis.

Kai engrossa a voz com magia:
— O PAPAI CHEGOU!!!

As luzes se acendem.

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