O dia amanhece com o barulho de uma carroça parando em frente à loja de Felicus. O felino havia conseguido um transporte até as proximidades de Sylvan por meio de uma troca de favores. Enquanto os Associados organizavam provisões na carroça, um subordinado da prefeita Lady Mariane Cortez surge, entrega um pacote e vai embora — era o restante do pagamento pela missão envolvendo o sacerdote Yon.

Kai ainda não havia aparecido. Pla, que não sabe escrever em ocidentale, decide desenhar um mapa e pendurá-lo ao lado da porta da casa de entretenimento +18, onde o camarada de chifres provavelmente ainda estava. Então o grupo parte.

A viagem dura vários dias. Às vezes montam acampamento; outras, dormem na estrada para economizar tempo. Compram provisões de vendedores ambulantes, caçam, comem frutas silvestres. O litoral e a maresia ficam para trás, substituídos por estradas de barro rodeadas de planícies verdes e pouca civilização.

Com o tempo, o verde se adensa. Arbustos cedem lugar a árvores altas, até que chegam ao ponto final da carona: a entrada de uma floresta rala que leva a uma ponte colossal sobre um abismo aparentemente infinito.

A ponte — feita de madeira, pedra e raízes — parece viva. Nëo testa sua estabilidade: nada acontece. Sergius, impaciente, simplesmente atravessa.

Desconfiada, Pla corta uma das raízes com o kanzashi; ela se regenera. Sergius apressa o passo antes que alguém faça algo mais idiota.

Ao final da travessia, a paisagem se transforma: árvores tão próximas que formam uma muralha natural, raízes espessas, flores, pedras — e um portal vivo, seguindo o caminho da ponte. Ao lado, um totem de quatro metros representando um homem encapuzado com cabeça de coruja e pés de garras.

Uma luz verde surge no ar, intensifica-se e toma forma: um pequeno espectro, curioso, que voa ziguezagueando entre os Associados. O rosto é ininteligível, mas a curiosidade é evidente.

Pla tenta falar com ele usando voz ressonante — nada.
Jairo Pistonius, incomodado, tenta espantá-lo soltando o famoso spray anal draconiano.

A reação é imediata.

O espectro aproxima-se ainda mais, encosta na cicatriz do draconato e todas as marcas dos Associados queimam ao mesmo tempo. Em seguida, o ser voa até o totem, entra em seu peito e acende os olhos do guardião em verde intenso.

Atrás deles, a ponte começa a se desfazer. O grupo corre para perto da estátua.

Nëo tenta conversar com o totem — nada.
Sergius cutuca — nada.
Toni tenta vender algo — nada.
Hétera percebe que se trata de um guardião druídico.

Mas antes que investiguem mais, percebem outro ser ali: um senhor de roupas gastas, sentado, fazendo carinho em um cachorro caramelo enquanto observa o grupo tentando conversar com pedra.

Pla se aproxima. O cachorro rosna levemente; ela se magoa com a desconfiança de um cão, mas detecta intenções — ele não é mau. Nëo se aproxima, o cachorro cheira sua mão e o ignora.

O velho fala:

— Então vocês atravessaram a ponte, certo? A marca doeu?

O grupo se espanta: como ele sabia das marcas?

— Nós estamos lhes observando há um bom tempo. Lhes peço perdão… os sylvanos são desconfiados com estrangeiros depois dos acontecimentos atuais. Mas vocês poderão entrar. Antes, precisam se mostrar dignos.

O senhor se levanta e remove a parte superior das vestes, revelando um corpo absurdamente musculoso para a idade.

— Eu lembro de ser bem assim na minha época! — diz Sergius, orgulhoso enquanto alisa sua barriga abaulada.

Enquanto o grupo encara o físico do velho, o cachorro se levanta nas duas patas… e transforma-se em um homem de trinta e poucos anos, barba e cabelos cor de caramelo.

— ME desculpem.

Essas são as últimas palavras cordiais do idoso antes de desaparecer num movimento tão rápido que parece magia. Ele ressurge atrás de Vorlag, Hétera e Pla, girando o corpo e quase acertando todos. Apenas Hétera é arrastada.

Do outro lado, enquanto Sergius e Jairo tentam processar o movimento do velho, um urso caramelo ergue-se diante deles, rugindo. Espadas contra garras.

— Cuidem do velho que eu e o Jairo damos conta do cachorro! A gente pode ficar aqui a noite toda! — grita Sergius.

O combate começa.

Pla invoca um braço espectral em forma de garra e o acerta, em seguida tenta mais um ataque, mas o monge não cai no mesmo truque duas vezes.


Hétera cria três réplicas; duas são destruídas instantaneamente pelos golpes triplos do monge.
Vorlag lança um raio de doença, Toni um orbe cromático — tudo desviado com elegância.

Do outro lado, Sergius e Jairo atacam o urso em conjunto. A criatura sangra, mas não demonstra cansaço — e então, recua, transforma-se de volta em homem… e depois em um elemental da terra. O sorriso de Sergius morre atrás do bigode.

Enquanto isso, Nëo, calculando pacientemente por muito, mas muito tempo os movimentos do monge, finalmente acerta flechas. O velho se surpreende, pula para trás, faz um selo de lótus e ativa uma aura defensiva.

Pla tenta quebrar a defesa — falha.
Hétera usa a luz dos feitiços da shinkan para atacar — falha.
Toni tenta botá-lo pra dormir — ele nem pisca.
Vorlag dispara mísseis mágicos — ele desvia de quase todos. Um único projétil raspa sua bochecha.

O monge encara Vorlag.
Ele desaparece.

— Eu vou morrer agora. — pensa Vorlag, recuando.

O monge reaparece atrás dele, golpeando três vezes. Por alguma força divina, instinto ou pura sorte, Vorlag desvia de todos. Ele está vivo. Por enquanto.

Enquanto isso, Jairo e Sergius começam a sofrer com o elemental.
A defesa do monge finalmente se esgota; ataques passam a surtir efeito — mas ele ainda não mostra cansaço. A luta poderia durar horas.

Até que:

BASTA!

O monge baixa a guarda e o druida retorna à forma humana.

— Eu sou Mano, e este é Sano.

Os Associados ficam incrédulos. Queriam continuar lutando. O druida ainda parece pronto para arrancar a cabeça de Sergius, mas respira fundo e cruza os braços.

— Vocês se mostraram dignos. Trabalharam em conjunto, com resiliência. Bem-vindos a Sylvan. — diz Mano, apontando para o portal natural. — Logo na entrada há uma clareira onde poderão descansar do teste.

O grupo segue e repousa.

Naquela noite, Pla sonha.

Ela está em uma clareira iluminada pela lua e estrelas. Uma voz a chama e ela se encaminha para perto de um lago onde vagalumes dançam sobre as águas.

Ela olha para o lago e vê seu reflexo… mas ele não a acompanha. Apenas sorri.

Uma voz a envolve por todos os lados:

— Vocês estão juntos na maldição. Eu quero tentar ajudar vocês.

Uma luz azul surge entre as árvores, toma forma humanoide e se aproxima.

— Eu já fui corrompida. Quero ajudar vocês. Se possível… me encontrem.

Contador deda sessão

críticos

naturais

grana

mortes

Mordekay_mvp

mvp