Pla desperta do sonho ainda na clareira iluminada pela lua. O lago permanece ali, espelhado e escuro como a própria noite. Ao redor, o grupo está reunido — agora com Kai novamente entre eles — e ninguém parece ter notado nada estranho durante o descanso.
Nëo se afasta, despe-se sem cerimônia e entra na água. Toni, mais cauteloso, apenas enche o cantil e bebe. As reações são imediatas e distintas: Nëo sente uma ansiedade crescente, quase sufocante; Toni, um enjoo violento, como se tivesse ingerido veneno. Pla se aproxima da margem, mas vê apenas seu reflexo comum.
Hétera, preocupada, usa Racismo & Consciência, uma antiga magia conservadora anã de bem, e confirma: há algo poderoso contido naquela água. Vorlag também sente a presença mágica. Jairo come um punhado de grama para “confirmar que é real”. Sergius grita que o grupo foi drogado.
Kai, como de costume, resolve atacar o lago. O impacto não cria ondas — a água vibra.
Do centro do lago, uma massa de escuridão começa a emergir, como um golem feito de sombras. Ao fundo, uma luz azul brilha: a mesma figura feminina que Pla já havia visto em seus sonhos, ainda aprisionada naquele lugar.

O grupo se prepara para lutar, mas uma voz ecoa pela clareira:
— Vocês precisam curar isso que está unindo vocês antes que Ele use isso pra se libertar… me encontrem.
Pausa.
— ACORDEM.
Todos despertam em outro ponto da floresta. Kai não está entre eles. Era um sonho — de novo.
Mano e Sano surgem quase imediatamente, exaustos e alarmados. Contam que o grupo simplesmente desapareceu e reapareceu em outro lugar. Ao ouvirem sobre os sonhos e as marcas, Sano começa a ligar os pontos.
— Vocês compartilham essas marcas… e a Árvore Sagrada está tentando se comunicar. Não por acaso, rachaduras começaram a surgir em seu casco.
Eles seguem os guardiões floresta adentro. O que antes parecia uma muralha vegetal revela-se uma única e colossal raiz da Árvore Sagrada, protegendo toda Sylvan. No centro, onde as raízes convergem, há uma fenda selada por um antigo portal de pedra.
— Aqui fica o coração da Árvore — diz Sano, abrindo o portal com um gesto ritual. Mano permanece ajoelhado, em vigília.
Antes que entrem, surgem soldados da floresta trazendo um tiefling rendido. Kai.
— Esse trombadinha está com vocês? Tentava entrar na floresta.
Sano aponta para a marca em seu braço. Os guardas o soltam sem cerimônia.
Agora completos, adentram o coração da Árvore.
Lá dentro há uma clareira viva, com um pequeno lago e, no centro, uma ilha onde cresce um salgueiro-chorão. Suas folhas pingam lentamente, como se ignorassem a gravidade. Fendas na árvore permitem que uma luz quase divina ilumine o local.
Kai envia o diabrete para investigar. Nada hostil — exceto o desejo imediato de roubar o salgueiro. O demônio tenta arrancar um fragmento, mas é repelido por uma força invisível.
Sergius observa o lago e vê algo estranho em seu reflexo: fios de luz saem de sua marca, enquanto o reflexo não copia seus movimentos. Ele expõe sua bisnaga, revelando a origem da luz vinda da marca. O mesmo acontece com todos. Os fios conectam as marcas entre si, fechando um ciclo.
Sano admite não ter conhecimento suficiente e convoca o ancião da floresta.
O ambiente silencia. Sem vento, folhas se movem. Findhörn surge: antigo, quase parte da própria floresta. Seus olhos são brancos, mas atentos.

Ele examina as marcas e revela a lenda:
— Essas marcas são como chaves. Fragmentos de um portal antigo. Um mau maior, vindo de outra realidade, só pode atravessar quando todas as partes forem abertas. Quando isso acontecer, nada restará.
A Árvore Sagrada é uma das defesas, selando o portal da terra. Outros portais existem: no fundo do mar, nos céus, na terra, sob guarda de um gigante… e um de localização desconhecida. As rachaduras indicam que algum selo já pode ter sido corrompido.
Findhörn parte.
Sergius, Hétera, Jairo e Kai deitam-se próximos ao lago, buscando contato com a figura azul. Pla pede ajuda a Sano em seus estudos druídicos, e ele promete procurar algo.
Nos sonhos, os quatro se veem novamente no coração da Árvore. O restante do grupo dorme, intangível. A garota azulada está sentada sob o salgueiro.
Ela explica: ali é o portal da terra. Ela mesma está fragmentada, separada de outra parte de si. O portal é uma ponte entre existências.
Kai pergunta se a reação da Árvore indica que outro selo foi aberto.
— Alguns selos podem ser abertos… e tornar vocês mais fortes — responde ela, com um sorriso perigoso.
Sergius pergunta como selá-los novamente.
— O mundo ergueu muralhas. Agora elas racham. É pelas fendas que a luz entra… mas Ele também entra por elas.
Eles despertam.
Sano retorna com dois pergaminhos para Pla. Nesse momento, Kai, movido por ganância ou pura demência, ataca a Árvore com fogo. A magia é repelida.
Guardas surgem armados. Sano se coloca à frente deles.
— Eu vi que era um selo… queria libertar o que estava preso — explica Kai.
— Eles tiveram visões — insiste Sano.
O líder dos guardas responde com um soco, nocauteando o druida.
— Ele pagou por você. Na próxima, não haverá misericórdia.
Pla corre para curar Sano, que se levanta e pede, com calma, para Kai não fazer mais merda.
— Foi mal… tava doidão — responde o tiefling.
Com mais perguntas do que respostas, os Associados decidem buscar conhecimento. Perguntam sobre bibliotecas, registros antigos, qualquer coisa que ajude a entender os portais, as marcas e o mau que começa a se mover.
A educação, ao que tudo indica, será a próxima arma. (Menção honrosa a Paulo Freire)
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