Sergius caminha ao redor do lago, observando a água, a Árvore Sagrada e suas raízes com os olhos arregalados. Não consegue afastar da cabeça a sensação de que tudo aquilo é uma mentira. Pla começa a se preocupar; talvez o velho estivesse certo novamente, algo terrível se acontecesse.

Enquanto isso, Sano e Mano explicam ao grupo as buscas realizadas por toda Sylvan em procura de Grimonatz. A Árvore já havia sido averiguada e permanecia sob vigilância, assim como as regiões sul, leste e oeste. Restava apenas o norte. Os Assossiados são convocados para participar da nova busca, marcada para o amanhecer do dia seguinte. Até lá, deveriam descansar.

Os guardiões de Sylvan se afastam para reservar os aposentos do grupo na taverna. Perto da Árvore Sagrada, porém, Vorlag decide investigar por conta própria. Ao encostar nela, rompe o fino tecido mágico que a recobria e revela uma estrutura muito mais comprometida do que aparentava. A passagem no interior do tronco leva às grandes escadarias que conduzem ao salão onde o portal problemático se encontra. Não havia ninguém ali.

Puta merda, talvez Sergius estava certo.

O silêncio daquele lugar apenas aumenta a desconfiança. Kai deixa Didi próximo à entrada do portal para vigiar enquanto o grupo retorna à taverna. No caminho, Pla utiliza sua magia para investigar Mano e Sano. Os dois parecem ser a mesma pessoa, mas alguma coisa ainda não se encaixa. Naquela noite, ninguém consegue descansar tranquilamente. A cada descoberta, a sensação de que havia algo profundamente errado com Sylvan aumentava.

Na manhã seguinte, Sano aguarda o grupo diante da taverna acompanhado por patrulheiros e cães de caça druidas. Mano já havia seguido à frente. A busca começa e, com a perfeita experiência dos rangers e patrulheiros, os rastros finalmente começam a aparecer. O grupo avança durante horas até montar acampamento, assando carne e bebendo enquanto aguarda novas pistas. Sergius, porém, mal consegue permanecer parado. Tudo o que queria era encontrar o draconato traidor.

No começo da tarde, ruínas são encontradas. Entre elas, o grupo de Grimonatz já aguardava. Pelas vestes e brasões, não havia dúvidas de que eram seus homens. Eles percebem a aproximação dos Assossiados e imediatamente se preparam para lutar, enquanto, mais ao fundo das ruínas, Grimonatz observa a movimentação e dá ordens aos seus subordinados.

Sergius não espera.

Parte em disparada contra o draconato, brandindo o porrete e gritando, sedento pela oportunidade de finalmente enfiar uma estocada nortenha no traidor. Do alto das ruínas, guerreiros deslizam pelos escombros em direção ao velho, tentando aproveitar sua fúria e explorar seus pontos cegos. Antes que consigam alcançá-lo, porém, ouve-se um galope. O céu acima dos soldados fica vermelho e uma bola de fogo despenca sobre eles, limpando o caminho para Sergius.

Era Toni aos gritos, montado em sua mula Jegue Nihil Johnson.

— CARA EU ACHO QUE ROUBARAM MINHAS COISAS E FUI ABUSADO!!!

A chegada inesperada surpreende todo o grupo, mas a reação de Toni limita-se a descer da mula e permanecer encostado nela, visivelmente traumatizado.

Sua voz treme enquanto encara o vazio, incapaz de fazer qualquer outra coisa. Pla imediatamente se coloca à frente da mula para protegê-la, enquanto alguns dos zumbis de Vorlag formam uma barreira ao redor deles.

Enquanto isso, Sergius continua avançando pelas ruínas sob uma chuva de flechas. Uma delas atinge seu ombro, mas ele rapidamente a corta com a própria espada e segue correndo. Kai utiliza sua Coroa Carniçal para espalhar o medo entre alguns arqueiros, enquanto Vorlag lança outra bola de fogo para afastar os inimigos.

O grupo de Grimonatz, porém, possuía muito mais do que guerreiros. Um dos feiticeiros inimigos responde aos ataques lançando bolas de fogo contra os Assossiados. Com Toni e Nihil ainda paralisados, Pla, Kai e os zumbis se colocam à frente e recebem o impacto. Pla tenta se proteger com seu kasa escudo, mas o calor e a força da explosão atravessam sua defesa. Kai responde imediatamente com um relâmpago infernal que atinge o feiticeiro.

Sergius continua avançando, completamente encharcado de suor dentro da nova armadura. O peso das placas torna cada movimento mais difícil, mas sua determinação não diminui. Ele aproveita cada distração para continuar se aproximando de Grimonatz.

Os arqueiros se posicionam novamente no alto das ruínas. Nëo é atingido enquanto Sergius desvia em zigue-zague entre os disparos. Um dos arqueiros é atingido por um disparo mágico de Pla, tornando-se a primeira baixa do confronto. Nëo responde trocando flechas com outro arqueiro, que acaba derrubado, enquanto, no solo, Sergius alcança um ranger e o enfrenta de frente, abatendo-o com a experiência de anos de combate.

Vorlag coordena seus zumbis para proteger o grupo enquanto Gilbetinha joga flechas. O feiticeiro inimigo começa a preparar novos feitiços, mas Pla já está próxima, e mais próximo ainda está seu guardião: um gigantesco lobo-guará espiritual que avança sobre o conjurador e arranca parte de seu tronco.

O segundo conjurador reage com uma onda de trovão que novamente atinge Pla e a arremessa para longe. Nëo aproveita a abertura e dispara outra flecha, atravessando o grimório junto do peito do feiticeiro. O grupo de Grimonatz começa a recuar. Já não tentam vencer a batalha, apenas atrasar os Assossiados enquanto seu líder continua avançando.

Então Kai recebe um aviso.

Seus olhos ficam brancos e, por meio de Didi, ele enxerga o que acontece no interior do salão do portal. Uma das paredes apresenta uma rachadura que lentamente se abre. De dentro dela surge uma criatura excessivamente magra e alta, vestindo roupas antigas, como se tivessem sido esquecidas pelo tempo. Sua cabeça, ou talvez seu capacete, é desproporcionalmente grande.

A criatura caminha até a região central do salão, onde se encontra o grande cristal do portal. De suas vestes surgem lâminas semelhantes a grandes tabuletas de pedra, que começam a flutuar ao redor do cristal.

Mesmo sem se virar para Didi, a criatura fala:

— Você pode estar invisível, pequena criatura, mas isso não silencia seus pensamentos.

Palavras em uma língua desconhecida são pronunciadas. As pedras flutuam ao redor do cristal e as runas começam a se iluminar.

— Está estável, podemos começar.

A visão de Kai retorna à batalha. Ele percebe que os homens de Grimonatz estão debandando ou apenas lutando o suficiente para garantir a fuga do líder. Eles não queriam mais vencer aquela batalha. Tinham um objetivo maior.

E Kai entende qual era.

Ele, Sergius e Nëo, que já estavam próximos de Grimonatz, avançam em disparada. Nëo dispara flechas enquanto corre, mas não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo e nenhuma atinge diretamente o alvo. Ainda assim, os disparos são suficientes para manter os inimigos acuados. Sergius alcança alguns dos guerreiros e derruba um deles sem diminuir o ritmo.

Do outro lado, Toni continua catatônico ao lado de Nihil, enquanto Pla e Vorlag seguem pelo caminho oposto, tentando alcançar o portal antes de Grimonatz e surpreender os inimigos. Vorlag então abre um portal.

— Pra onde vamos? — pergunta o mago.

— Plo poltal.

Os quatro atravessam a passagem e surgem diretamente na entrada da Grande Árvore, chegando antes dos demais. Vorlag aproveita a oportunidade para fechar a passagem atrás deles, impedindo a passagem dos inimigos. Mas a criatura já estava lá. Com um simples movimento dos dedos, ela rompe o feitiço de Vorlag.

Pouco depois, Grimonatz surge pelo outro lado, seguido por seus capangas e, logo atrás, pelos demais inimigos. O draconato não esperava, porém, encontrar Mano e Sano aguardando por ele.

Os dois escutam o estrondo vindo do lado oposto, assumem posição de combate e aguardam. Quando Grimonatz finalmente surge, corre em direção a eles com as espadas em punho.

— Finalmente te encontramos, Grimonatz.

Mas, quando o draconato se aproxima, algo inesperado acontece.

Mano e Sano baixam as armas.

Grimonatz também diminui o passo.

Os dois abrem espaço entre si, e o draconato caminha até o centro, onde se prostra diante deles. Os três então encaram os Associados.

— Vocês são fracos.

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